Deus foi muito bom comigo, permitiu que eu vivesse para constatar que meu castelo desabou mas que ao final eu estaria vivo, e só isso já era motivo para agradecer mas eu não me perdoava por não ter morrido ao invés disso ficava articulando uma maneira de me matar, pois eu não aceitava ser aquilo todo deformado em frente o espelho, mas para o meu bem todas tentativas foram fracassadas e eu não conseguia me matar, uma vez tomei oito comprimidos de estimulante sexual pensando que me iria disparar o coração mas não aconteceu nada exatamente nada, e isso era frustrante para quem buscava na morte o fim do sofrimento e da amargura, como fosse a única solução na mente suicida, tudo é possível, meu Deus que perigo eu corria porque eu não me reconhecia não admitia ser o que e quem era, puta véio, estive feio na fotografia enfim de todo o meu ser, mas aquele sofrimento seria passageiro e aquele ser derrotado aparentemente buscou nas folhas uma maneira de se expressar, já que eu estava impossibilitado na matéria de expressar-se, eu via nas folhas uma oportunidade de transcender á situação em que me encontrava, posso dizer que estive em maus lençóis mas escrevendo acabei transcendendo á deficiência, nos momentos em que escrevia me sentia perfeito e nesse sentimento passava as horas escrevendo grande parte do dia, mas era só levantar para constatar que a deficiência me habitava e começava tudo de novo, mas acima dessa minha condição eu posso dizer que escrevendo descobri o ser maravilhoso que existia dentro de mim, e hoje sou feliz só em saber que servirei de inspiração.

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