É verdade que estive bem feio primeiramente, atravessei por um estado de coma absoluto que prolongou-se por quarenta e três dias, passado o coma fiquei um certo período nos hospitais após passei alguns meses vegetando em cima de uma cama, escutando meu pai falar que aquilo seria apenas as conseqüências da vida que eu levava, homem austero e sincero, esse era meu pai, que Deus o tenha em seus braços segundo nossa ignorância mas era nisso que ele acreditava, bem os dias passaram e eu ganharia minha liberdade parcialmente ou seja ganhei uma cadeira de rodas que me levava nos lugares, claro se tivesse quem me empurrava mas meu pai nunca deixou faltar isso, olha brother lembro-me do dia em que doamos a minha cadeira para quem precisava, eu havia ficado triste por me separar daquela cadeira, pois eu já havia criado vínculos com aquilo que me proporcionava ir aos lugares, bem passado aquilo agora então eu queria andar sozinho mesmo sem poder mas dava dois passos e caia, queriam me levar passear pelos braços mas seria eu que não aceitava aquela ajuda explicita, eu andava com meus braços e minhas pernas pura carne viva de tanto cair mas como eu estava sistematizado religiosamente já que eu estava caído mesmo aproveitava para me ajoelhar e agradecer por não ter quebrado as pernas, e lá estava eu no sol do meio-dia agradecendo pelo tombo, além de que pedia centenas e até milhares de perdões todo santo dia, era como um gerasse outro, bem mas passado esse estado de encantamento comecei á escrever, devo admitir que essa decisão iluminou a minha vida, então eu acharia uma maneira de se expressar porque de outra maneira eu estava impossibilitado mesmo e foi onde que vi que poderia transcender á deficiência, senti que era por aí mesmo onde me identificaria, e nessas condições eu escreveria aproximadamente dez mil folhas e deixaria todas soltas dentro de uma caixa de geladeira na dispensa de minha casa, mas com o passar do tempo aquela caixa havia se tornado num criadouro de insetos e até roedores, até que minha mulher se estressou e resumindo tive que queimar as folhas para segurar um casamento de mais de vinte anos, e queimaria o meu legado sem nem mesmo chorar devido á deficiência que possuo, até para falar a verdade se eu pudesse chorar teria sofrido bem menos mas que garantia eu teria que iria me transformar num escritor que filosofa a dor e faz poemas com os dilemas dessa vida, aprendi á reverter a dor em inspiração porque sofri de maneira desproporcional mas eu sobrevivi e agora pretendo construir o meu legado, já devo ter umas quinhentas folhas escritas todas guardadas em local seguro dessa vez para quem quiser ver, escrever mais dez mil folhas é só uma questão de tempo mas estou no caminho se perguntado e eu escreverei outras dez mil folhas novamente apenas os conservarei ainda nos cadernos dessa vez e totalmente legível a minha inspiração, quem sabe a minha letra seja horrível mas é o que dá para fazer em tempo real, segundo as mensagens que me são enviadas ao cérebro e procuro descrever o que penso, se falando mais etimologicamente eu tento se perguntado porque é impossível expressar a real magnitude de uma mente em algumas palavras descrever um estágio espiritual em um livro.